Lista de números namorada

Parei de ver porn

2020.08.31 05:12 bebetolittlefella Parei de ver porn

Esse é um post-desabafo sobre o porquê parei de assistir pornografia (tem 2 semanas) e o porquê de não pretender voltar. Isso não tem nada a ver com nofap, ou com alguma crítica a quem assiste ou faz pornografia, é apenas um relato bastante pessoal sobre o impacto da pornografia na minha vida e em como eu, particularmente, decidi mudar.
Há vários motivos pelos quais eu decidi parar com pornografia, mas os principais são esses (sem ordem especifica, os números sao só pq gosto de fazer listas kk):
1) Eu odeio a sensação de nao ter controle sobre minha vida, a sensação de estar viciado e de fazer algo que eu sei, enquanto estou fazendo, que isto está me prejudicando de alguma forma e mesmo assim nao conseguir parar.
2) Eu estava dormindo cada vez mais tarde porque deitava na cama pra dormir tipo meia-noite, decidia ver um porn e dava 3h30 da manhã e eu ainda estava vendo, as vezes ate sem masturbar. E aí no outro dia estava cansado, nao rendia no trabalho, ficava com dor de cabeça por ter dormido pouco (preciso de 8h, tava dormindo 5h as vezes) e isso ia tendo um efeito cumulativo durante a semana.
3) Estava ocupando boa parte do meu dia e permeando momentos que nao eram propícios, como, por exemplo, quando eu ia dar uma cagada e levava o celular pra ver um porn. Ou como quando eu levava o celular quando ia tomar banho, botava um gif de alguma travesti rabuda de algum subreddit, e apoiava o celular num lugar que nao molhava e aí ficava tomando banho e batendo punheta olhando pro celular.
4) Estava sempre precisando de "novidades" pra ter mais tesão com pornô, e acho que até "esgotei" alguns generos bem específicos que eu procurava pois nao conseguia achar mais video que eu nao tivesse visto. E aí a gente começa a buscar coisas mais "pesadas".
5) A indústria pornô é horrível e odeio saber que eu estava contribuindo pra gente muito escrota ficar rica. Alem disso, os sites de pornografia sao extremamente omissos em relação a exploração sexual, e eles têm um controle horrivel sobre o que é postado. Ex: videos de estupros reais são postados no pornhub (tem até um caso famoso que a vitima so conseguiu que tirassem o video do ar qnd fingiu q era uma advogada). Vc pode optar por assistir vídeos só amadores, pois aí sabe que nao há uma industria escrota por traz daquilo, mas muitas vezes nao tem como vc saber se o vídeo que vc está vendo é de sexo consensual, não envolve tráfico sexual, foi filmado com permissão de todos oa envolvidos, foi compartilhado com permissão de todos os envolvidos etc. Nao tem nem como vc saber que aquela guria q tu ta vendo no onlyfans nao está sendo, de alguma forma, coagida a ganhar grana postando o corpo. Provavelmente nao, mas é esse o nível de abuso que pode rolar e vc, com o pau na mao, escolhe ignorar ou nao querer ver.
6) A objetificação das pessoas. Um exemplo particular: nao conheço nenhuma mulher transexual ou travesti pessoalmente e aí, como elas tem pouquissima representatividade na TV e meios de comunicação (alem de na vida real em geral), basicamente meu contato com elas é por filmes pornôs. Isso acaba me fazendo fetichizar trans/travestis. Com mulher cis eu nao percebi uma fetichizaçao tao grande e exagerada quanto com mulher trans, mas também ocorre. Dessa forma, me abster de ver pornografia é também uma tentativa de ver as pessoas em toda sua complexidade e riqueza, e acho que isso pode me tornar uma pessoa melhor.
7) Decidi focar no meu relacionamento (monogâmico) e investir nele. Eu percebi que ficar pesquisando pornografia reforçava no meu cerebro a ideia de que eu precisava de algo FORA do meu relacionamento pra me sentir satisfeito. Alem disso, ficava fazendo comparações, querendo que minha namorada fizesse coisas x e y, e ficava chateado por ela nao ser x e y. Esse mesmo comportamento de busca "externa" acontecia de outras formas que tbm estou cortando, como ficar pesquisando mulher gostosa no instagram, ou ficar buscando as gostosas na rua. A questão é muito simples: se eu estou o tempo todo reforçando no meu cerebro a ideia de que fora do meu relacionamento há mta mulher gostosa q eu gostaria de comer, como que eu vou conseguir focar num relacionamento monogâmico e ter mais vontade de transar com minha namorada? É melhor entao eu canalizar toda essa minha energia para quem realmente importa pra mim.
8) Eu vivia reclamando que nao tinha tempo livre pra fazer as coisas q eu gosto, no entanto tava gastando mais de 6 horas por semana com pornografia, entao eu simplesmente ganhei umas 6 horas por semana pra gastar com coisas mais uteis pra minha vida.
Bem, isso é o que lembrei por agora, as razoes principais de eu ter largado pornografia. Eu já tentei largar pornografia diversas vezes, mas sempre pelos motivos errados. Aliás, nao porque os motivos em si eram errados, mas porque eles faziam mais sentido para os outros, nao pra mim. Agora, mesmo que alguns desses motivos sejam os mesmos que eu usei para tentar parar outras vezes, eles sao diferentes pq agora sao pessoais, fazem sentido para mim, cada um deles tem um impacto perceptível na minha vida e experiência pessoal. Nao to fazendo pq a galera do nofap disse q é bom (ate pq n tenho nada contra masturbação), pq algum cientista falou, ou pq algum site listou todos os problemas de consumir pornografia. Eu to fazendo porque, para minha vida e para meus objetivos, nao há mais espaço algum para pornografia. Talvez seja por isso que, de todas as vezes que eu tentei parar, essa é a primeira em que eu nao sinto que estou perdendo alguma coisa, pelo contrario, sinto que agora posso ser eu mesmo, com minha moral, meus objetivos e com o controle sobre minhas atitudes.
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2020.07.16 20:44 prmoreira23 Imperialismo Flamenguista

Boa tarde pessoas,
Sou corinthiano e minha namorada é flamenguista. Ontem ela comemorava o justamente conquistado título carioca do Flamengo dizendo se tratar da maior torcida do mundo.
Naturalmente essa afirmação doeu em meus ouvidos alvinegros. Sempre achei estranho que um clube de um estado com menos de 20 milhões de habitantes pudesse ser a maior torcida do país.
Por favor, não me levem como referência de corinthiano. A Fiel não está nem aí para o tamanho da torcida de outros clubes, está dedicada demais a torcer pelo Corinthians pra se importar com isso. É minha mesquinhez que me move para fazer a análise a seguir que espero ser interessante. Pago com minha dignidade o preço de levantar dados para a conversa.
Queria saber: De onde vem tantos flamenguistas? Será possível que exista um processo colonial imperialista carioca que absorve o povo brasileiro e destrói as raízes de clubes locais buscando ganhar o titulo de maior torcida do país?
Pesquisei os dados nacionais e locais para definir o tamanho das torcidas do país. Optei pela pesquisa do Datafolha de 2019 [1] por apresentar uma boa metodologia. Infelizmente ele apresentava os dados em regiões ao invés de estados. Já perdemos aí uma nuance da distribuição geográfica. Mas deve ser suficiente.
Para transformar a participação percentual de cada clube na torcida da região em participação percentual de cada região na torcida do clube transformei os dados percentuais em números absolutos usando dados do IBGE do tamanho da população em cada região [2] para definir o tamanho da torcida em cada região para definir sua participação no total.
Defini minha amostra como as 10 maiores torcidas do país segundo a própria pesquisa (a saber: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Santos e Atlético Mineiro) e fui ver sua % local de torcedores:
Considerei os 4 clubes com maior percentual de torcedores locais como fortemente locais, Cruzeiro (84%), Grêmio (82%), Internacional (80%) e Atlético Mineiro (>90%). Todos com mais de 80% da sua torcida na região do clube
Não temos clubes com participação local entre 60-80% (chamaria de locais)
No meio do caminho (40-60%) temos 5 clubes. Como temos metade da amostra e o intervalo 40-60% inclui o 50% decidi dividir o intervalo para clareza
Semi-locais Entre 50% e 60%: Corinthians (54%), São Paulo (58%) e Santos (56%)
Semi-imperialistas Entre 40% e 50%: Palmeiras (49%) e Vasco (42%)
E por fim vemos o clube mais imperialista. Um clube que mantém vastas colônias pelo Brasil sacrificando o futebol local num altar na Guanabara para poder se manter como a maior torcida do Brasil. Um clube que não teria nenhum problema em sequestrar filhotinhos de doguinhos só por diversão [carece de fontes]. Um clube que simboliza literalmente toda a crueldade como quando deixou o River Plate achar que ia levar a Libertadores de 2019 até os 5 minutos finais:
Imperialistas (20-40% torcida local): Flamengo (35%)
Assim o quadro do imperialismo flamenguista se pintou diante de mim e eu não posso ficar calado diante de tamanha injustiça. Acredito fortemente que corro risco de vida – não pela torcida do Flamengo, mas pela minha namorada que lê este texto enquanto o posto aqui.
A vida nunca mais será a mesma depois desses dados. A minha, no caso.
Quando corrigimos o ranking excluindo as colônias dos clubes o ranking das 10 maiores torcidas se altera. Corinthians passa o Flamengo (15.9mi e 15mi), São Paulo se mantem (9.7mi), Cruzeiro e Grêmio ganham posições (7mi e 6.8mi) do Palmeiras (6.1mi) e vemos o Atlético-MG (4.4mi) ajudar no despencar do Vasco e Santos (3.5mi cada).
Porém ainda não consigo aceitar que o Flamengo, um clube do estado do RJ (17mi de habitantes) possa ter tantos torcedores. Certamente o Espirito Santo (4mi) é refém das garras coloniais do famoso clube de regatas. Porém isto cai no ponto cego dos meus dados – não encontrei dados por estado coletados sob uma mesma metodologia.
Trago-lhes Conhecimento. Sou a tocha da caverna do Platão que joga luz sobre o imperialismo flamenguista que tenta projetar sombras de maior torcida do país – mas vocês podem hoje ver que o consegue às custas do futebol local regional.
REFERENCIAS
[1]Time de Preferência, Instituto DataFolha 2019 http://media.folha.uol.com.bdatafolha/2019/09/17/77975ecbd43522f8fe59b29b8f93d09atdp.pdf Acessado 16/07/2020
[2] Lista de Unidades Federativas do Brasil por população, Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_unidades_federativas_do_Brasil_por_popula%C3%A7%C3%A3o#cite_note-IBGE_POP-1 Acessado dia 16/07/2020
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2020.06.28 23:21 MAD-PT [AMA] Após quatro anos nos arredores de Zurich, acabei de sair da Suíça.

Boas pessoal,
Visto que já fiz vários comentários sobre a minha estadia na Suíça e tive várias pessoas a enviarem-me mensagens com várias perguntas, decidi criar um AMA (Ask Me Anything) / Pergunte-me Qualquer Coisa.
Muito do que vou escrever já escrevi noutros posts/mensagens e é com base na minha ou na experiência de pessoas conhecidas/amigas. Acredito que nem toda a gente tenha passado pelo mesmo que eu passei por isso convido a todos os que vivem / já viveram na Suíça a partilharem a vossa experiência e darem os vossos conselhos.
Espero que isto ajude a todos os que estejam a ponderar mudar-se para a Suíça e aos que chegaram há pouco tempo. Estejam à vontade para perguntar o que quiserem.
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Pequena intro:

Despesas:

Troques e dicas:

Como é viver na Suíça:

Coisas que me aconteceram (e a conhecidos meus):
TL;DR;
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2020.01.14 22:17 darthvader008 Como ser um Bosta na vida S2

Bom, primeiramente... Olá a todos os leitores, obrigado por tirar um tempinho de suas vidas para ler algo sem graça de alguém mais sem graça ainda!
Bom, sou um Jovem senhor de 28 anos (recém completados) moro em uma cidade turística, cheio de mulheres bonitas, nem sempre morei aqui, mas vamos ao que interessa. apesar dos meus 28 anos, só tive 3 parceiras sexuais ( em nenhuma cheguei ao orgasmo kkk irônico, eu sei) das três parceiras sexuais...
The first one: Prostituta em uma cidade vizinha, tava muito escuro no quarto, ela era muito baixinha e a mão dela parecia a mão de uma anã (confesso que me deu um certo nojo, desculpa a todos os anões, eu tenho 1,90m de altura) não foi um sexo bom por vários motivos
1- Ela é prostituta, paguei 150 reais pra perder a virgindade aos 25 anos de idade '-' pqp. 2- O rancor de mim mesmo por passar por aquilo, foi degradante. 3- A ressaca moral no outro dia foi terrível, se eu pudesse eu queria minha virgindade de volta.
A segunda: Uma senhora que foi no meu trabalho pedir meu número para meu colega de trabalho (eu o amaldiçoou até hoje por ter dado meu número) ela é uma velha que queria uma relação duradoura, eu desde o começo nunca quis nada com ela, mas eu sou tão pateticamente tímido que não tinha coragem de dizer à ela, ela queria casar e tudo, com ela também não cheguei ao orgasmo, passamos a noite conversando e no outro dia não mandei uma mensagem sequer e dei block nela no whatsapp. não era o que eu queria, fiquei novamente com o rancor de mim mesmo e nesse tempo eu namorava com uma moça do país de gales (relacionamento a distância) fiquei ainda pior por ter traído a Galesa A terceira: uma vez um rapaz foi no meu trabalho e estava me contando sobre uma mulher que mandava nudes, a mulher tinha seus 41 (e eu 26) ela gorda baixa e morena, bem morena, o sexo foi horrível de várias formas, mas culpo principalmente por ela não poder fazer as posições que eu queria fazer kkkk me arrependo também por ter ido lá, também dei block e nunca mais vi.
Minha vida amorosa é bem patética, todas as mulheres que posso dizer que foram "minhas namoradas" foram de relacionamentos à distância: 1- Aseel ( moça muçulmana linda que mora na Palestina) separamos porque eu sou pobre e não posso ir pra lá 2- Brandi (americana de Indianapolis) só comecei um relacionamento com ela por pena, devo admitir, ela se sentia sozinha 3- Annalise (a Galesa que citei antes) muito linda, nos separamos porque ela é linda e eu um ciumento chato que nunca poderia ir pra gales por falta de dinheiro. 4- Huda (Egípcia linda linda kawaii linda linda linda, muçulmana linda, já falei que ela é linda?) Essa foi antes da Annalise, nos relacionamos por mais de 2 anos, sinceramente nunca amei alguém assim antes, por ela eu me converti ao ISLAM, por ela eu faria tudo mesmo, não só porque ela era linda com ou sem Hijab, mas sim porque ela é tão meiga, fofa, simpaticamente perfeita e maravilhosa, a nossa separação veio porque obviamente a distância... eu mentia muito pra ela sobre muitas coisas, só pra não deixar ela perder o interesse por mim, mas mesmo se eu dissesse a verdade ela ainda me amaria, eu sei disso, tanto que depois que nos separamos eu disse muitas coisas e ainda assim ela me respeitava e falou ainda que me amava, que até moraria debaixo da ponte comigo se fosse o jeito e a separação não foi devido ao casamento arranjado que a mãe dela arrumou pra ela, coração partido em milhares, mas também não esperava que ela ficasse comigo pra sempre no telefone, espero que ela esteja feliz 5- Ana (A única brasileira da lista) não tenho nem o que falar dela, estamos atualmente ainda juntos, ela como a Annalise tem uma filha (ambas as filhas se chamam Laura) amo muito, mas amo de paixão essa, ela mora longe do estado que eu moro, ela é linda, ela é meiga, gostosa, perfeita, maravilhosa, a primeira brasileira em quem eu pude dizer que tenho paixão e ela tem por mim, a primeira brasileira a querer estar comigo, estamos ainda juntos nem sei porque, nós nos falamos muito pela parte da manhã, quando estou trabalhando, porque a tarde o marido dela chega '=' ... Exatamente isso, ela é casa ainda com o pai da filha dela, ela alega não gostar mais dele e tudo, eu ajudo ela de todas as formas possíveis, ah como eu amo essa garota, ela quer que eu vá para o estado em que ela mora para nos conhecermos, mas ela já diz que vai querer ficar comigo pra sempre, eu amo demais ela... mas além do marido dela, há ainda os problemas devido as minhas mentiras... algumas delas... eu disse que tenho carro (disse antes de ter, agora eu tenho) nem tenho habilitação, eu sou diabético e em 2 anos nunca disse pra ela, eu tenho emprego, sou frentista de um posto, nunca disse a ela, falei que trabalho com outra coisa, disse pra ela que eu moro só, mas na verdade moro com toda minha família, irmãs, sobrinhas, irmão, mãe e durmo no mesmo quarto que minha mãe (patético né? calma que ainda fica pior) um dos motivos que me fazem ficar como estou é o fato de talvez o pessoal não se dar bem sem mim, pois dou 100% do meu salário pra minha mãe, ela paga as contas, compras as coisas, eu trabalho e fico na internet, não tenho amigos ou vida social, sou feio pra xuxu. sempre que falo sobre sair de casa vem aquelas chantagens emocional, a tristeza de deixar minha mãe (que tá inteirona, não tá velhinha, tem só 52) Eu penso comigo, será que a Carol ainda me aceitaria se eu dissesse a verdade? as vezes me sinto horrível por mentir pra ela, me sinto um lixo por dizer que vou pra lá, mesmo não podendo ir ou nem sei se é porque não quero, eu me odeio por fazer ela querer alguém como eu.
Um pouco sobre minha vida além do que eu já falei, quando eu tinha 19 descobri que tinha diabetes, fiquei em coma por 3 dias e tomo insulina 2x ao dia, sou pobre, pago aluguel, mas não é tão miserável minha vida agora quanto era antes.
eu realmente quero a brasileira na minha vida, apesar de eu nunca querer ter filhos, eu quero estar com ela e a filha dela e criar como se fosse minha, não sei se como adulto responsável pela casa eu me daria bem, já que só fico em casa e não faço nada além de sair pra trabalhar, aos 19 anos eu fazia ciências contábeis, fiz dois anos e me mudei para o centro-oeste (morava no norte)
gostaria de alguns conselhos realmente efetivos, não quero me relacionar com ninguém que não seja a moça que já tenho relacionamento a distância, que comparado as outras, não vou gastar dinheiro com passaporte e visto. recentemente fiz vestibular pra ADM, o resultado sai no próximo dia 20 de janeiro
Mais sobre mim: Sou ou fui inteligente, sempre gostei de estudar, mas por preguiça (acredito eu) dei uma parada, assisto muito anime (animação japonesa muitas vezes baseadas em mangás) mesmo sendo um adulto de quase 30, meus amigos de verdade moram no norte, eu nunca bebi nem fumei... não, eu não sou religioso, sou ateu desde os 16, não tenho costume de ficar chorando, fico mais me masturbando pra aliviar a pressão de ser um ser humano patético. Na maior parte do tempo me sinto um inútil e um desperdício de oxigênio, acho que sou um mentiroso, mentia (ainda minto) sobre estar cursando licenciatura em química para o pessoal do meu trabalho, se bem que frentista é tudo fdp, então não importa.
PS: depois de digitar isso, percebo que minha vida é uma bosta por culpa exclusivamente minha, affs.
Obrigado novamente a você que leu, espero que fique bem.
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2019.06.23 18:27 rubnesio Top 10 melhores(PIORES) cenas MARCANTES do livro As Crônicas de Arian Vol.1, com CLÍMAX, SEM CENSURA e versão SURTADA, sem nenhum revisor

A review COMPLETA foi postada aqui: Link
Depois de muitos incentivos de amigos e do pessoal do Twitter, li finalmente a obra do Youtuber Marco Abreu, publicada ano passado, 2018, em versão digital. Admito não ter ido com expectativas positivas do que esperar. O autor já demonstra limitações textuais no seu blog pessoal, quanto a posts mal escritos e um vocabulário muito limitado, cheio de vícios de linguagens e erros ortográficos. Mesmo tendo essa noção, fui surpreendido (negativamente) por um produto literário de conteúdo horrível, preguiçoso e de péssima qualidade.
Primeiro, um “pequeno” resumo do livro:
Resumo da história
Sinopse: “Um garoto acordou sem suas memórias perto de uma estrada do Sul. Com ele, apenas uma espada em condições ruins, mas com propriedades anormais. Ajudado por uma família, e depois por membros de uma guild, ele logo constatou que todos que ficavam perto dele acabam sofrendo, e se isolou.
Felizmente, ele nunca estava sozinho, uma fantasma, estava sempre a seu lado. Nos seus momentos mais felizes, e nos mais tristes, ela sempre estava lá para apoiá-lo. E com ela, ele seguiu, em busca de um sentido para sua vida, e respostas para os mistérios que o cercavam.
Um dia, finalmente conseguiu uma forma de obter respostas sobre si mesmo, ao entrar em uma missão, que, teoricamente, era para ser simples. Mas a missão não era o que aparentava. O que começou como uma escolta, virou algo sem precedentes na história do seu mundo.”
Se você leu a sinopse acima, a impressão que fica é: o livro vai contar a história do Arian nessa missão, em busca do seu passado perdido, enfrentando perigos ao longo do caminho, correto? E se eu disser que a história PRINCIPAL só começa depois do capítulo 20, onde ½ do livro são arcos periféricos que não agregam em nada a narrativa? Pois então...Vou tentar ser muito sucinto nessa parte, até para não alongar muito o texto, que já está grande para um caralho.
Começamos o livro com um arco de apresentação. Até aí tudo bem, porque é o que se espera do começo de um livro. Introduzir os seus personagens antes da grande aventura que irão enfrentar. E a sinopse dá entender que iria começar o capítulo introdutório com o passado do protagonista após acordar na beira da estrada. Então...não é bem assim que acontece de fato.
O primeiro arco começa em um bar, a partir da visão do segurança(???) do local, com seus pensamentos descritos pelo narrador do livro (a escrita é em terceira pessoa). Você já começa a torcer o nariz com aquele mundo, graças a inserção de vários conceitos avulsos e perdidos que não condiz muito com a realidade relatada. Aquele universo lembra muito o período medieval/feudos da nossa história antiga/idade média. Porém, o que nos foi apresentado é um mundo em que temos:
· Um sistema militar hierárquico e organizado, onde temos patente e divisão de funções bem definidas.
· A função/emprego de segurança em locais privados como bares(não são militares e sim pessoas normais sem treinamento específico).
· Sistema econômico complexo (conceitos avançados) , com noções de valores e mercado financeiro (só faltou citar a inflação no livro).
Entre diversas coisas, que geram certa estranheza e uma bagunça dentro das próprias regras estipuladas nas descrições. Vamos relevar por enquanto essa confusão de ideias prosseguir com o livro.
Voltando ao resumo, esse primeiro arco é basicamente uma forma de apresentar a GRANDE FORÇA “OCULTA” que o Arian tem no quesito podeforça. E qual a situação que o autor escolhe para demonstrar isso? Uma cena de ESTUPRO 🤦‍♂️(já vou abordar esse assunto mais para frente). Tudo se passa com uma MEIA-ELFA (enfatizo a palavra, porque é a motivação principal do Arian são essas mestiças inter-raciais), junto com o segurança (namorado dela), em que ambos são atacados por militares MALDOSOS e SÁDICOS (adjetivos usados a exaustão para todos os vilões desse primeiro livro). São salvos pelo protagonista aparecendo no momento previsível e oportuno. Depois do resgate, o Arian parte para outra jornada. Acabou o primeiro e nisso, já foram seis capítulos do livro. Enfim, um arco ruim e tosco que só serviu para apresentar três personagens que são de fato úteis: o Arian, o Cavaleiro Negro que o auxilia no resgate e na batalha (falo mais sobre ele depois), e da (nome da fantasma que está na sinopse e esquecida pelo autor por quase todo livro).
Em seguida, temos um segundo arco cheio de clichês até no talo. Um TORNEIO DE COMBATE está acontecendo, com a óbvia participação do Arian, é claro. Para quem vivia reclamando de histórias shounen, são mais dos mesmos, criança como protagonista, e sei lá mais o quê, o próprio Marco utilizar a mesma estrutura de uma competição/torneio como arco seguinte da introdução, semelhante a Dragon Ball, Naruto, Black Clover, entre outros mangás famosos de porrada, é no mínimo esquisito, bizarro, para não dizer contraditório. E somos apresentados a mais três personagens no final do campeonato: Marko, Kadia (ela consegue ler as mentes das pessoas a sua volta) e Dorian que farão parte da party dele.
Já se foi quase 20 capítulos até aqui de 44 presentes no livro vol. 1. Estou perto da metade do livro e quase nada da sinopse foi citada ou trabalhada no enredo? Sim. Exatamente esse sentimento que fiquei conforme lia o livro. É uma enrolação que não chega a lugar nenhum, falando em termos de história que está sendo contada. Foi uma introdução GIGANTESCA e INFLADA para aparentar que o livro é rico em detalhes ou informações (que não é verdade), elevando o número de páginas sem uma boa justificativa para tamanha demora em entrar na trama principal. Parece um trabalho acadêmico e escrito por um universitário preguiçoso, que tinha um número de páginas mínimas para fazer, só que ele não estudou suficiente para isso, e enrolou preenchendo com dados inúteis para alcançar os requisitos exigidos para a entrega e avaliação.
Mas agora parecia que ia entrar na trama da MISSÃO IMPORTANTE dita na sinopse. Mais personagens foram introduzidos e dava a impressão que agora ia para o rumo central, do que supostamente o livro devia contar. Só que não é isso que acontece. A Kadia, personagem que citei anteriormente, decide ler a mente do Arian e temos MAIS TRÊS CAPÍTULOS SOBRE O PASSADO DO PROTAGONISTA. Tipo, já se passaram mais de vinte capítulos e não começou a missão principal ainda??? Sim. É isso mesmo. Mais uma fuga do tema para contar mais alguma história paralela sem função para o enredo principal. (Se fosse no Enem, era zero certeza)
Resulta que temos um terceiro arco sobre o passado do Arian, após ele acordar na beira estrada com a . Prefiro não detalhar esse trecho, porque dos supostos três capítulos que servem para desenvolver o Arian e o que aconteceu com ele, dois desses capítulos são dedicados exclusivamente a descrever cenas de ESTUPRO com muito “entusiasmo”. Nada do que é esperado de um arco que apresenta o background do personagem principal, foi feito aqui. Foram capítulos inúteis que só tinham o propósito de CHOCAR. Até existe uma tentativa elaborar um conflito interno do Arian, só que é jogado fora completamente, porque no presente(em relação ao livro), ele não sofre mais com essa indecisão mostrada nesse trecho. Mais tempo perdido de leitura.
E finalmente, depois de três histórias pouco produtivas, chegamos no quarto arco que é a missão de escoltar a Lara e um objeto poderoso. Já passou metade do livro, e a jornada só começou ali. Tranquilo. Parece que vai engrenar. E vou lendo, e lendo, e mais lendo e nada de interessante acontece. Não é exagero. São vários capítulos deles cavalgando e dialogando entre si, enfrentando uns bandidos fracos, conversando mais um pouco, portais bidimensionais abrem e sugando tudo ao redor(???), personagens se salvam do perigo, conversam mais ainda do que antes...São 8 capítulos dessa forma, onde não temos coisas acontecendo ou eventos que movimentam a trama. É só eles indo por uma estrada até seu destino.
Talvez, até o autor deve ter percebido isso, que o livro estava ficando chato, coisa e tal. Então, ele decidiu deixar as coisas mais EMPOLGANTES. E qual foi a tática que ele usou para movimentar a trama? Colocar mais ESTUPROS. Né...Insinuar estupros com crianças de 6 anos de idade não choca mais como antigamente(sendo irônico aqui).
Temos mais lutas para defender as MEIAS-ELFAS do destino cruel que é a escravidão e os abusos sexuais, mais poder “oculto” do protagonista, mais Cavaleiro Negro (ele surge do nada em diversos momentos do livro) na jogada e termina a batalha sem grandes consequências para ninguém.
Não satisfeito, o autor foge novamente da trama principal e insere uma side-quest, em que o Arian e a Lara vão fazer, com o objetivo de matar os mortos vivos que estão na floresta daquela região próxima. A missão que é mencionada como a PARTE A MAIS IMPORTANTE do enredo que modificaria o mundo, e que iria mudar o Arian para SEMPRE, foi novamente jogada para escanteio e o foco se voltou para uma parada nada a ver.
Nem sei se classifico como quinto arco, ou capítulos de fillers essa missão secundária, porque nada o que ocorre nesses capítulos, tem grande relevância ou repercussão nos personagens ou movimenta trama, dita como a central. É mais um jeito de enrolar e esticar uma história que podia ser contada em poucas páginas. Para acelerar o processo de resumir o livro, o arco é uma missão que começa fácil, complica a situação, aparece Goblins, rola MAIS ESTUPROS (Goblin Slayer manda um abraço), eles lutam com milhares de Goblins, são salvos por uma deusa que não apareceu em nenhum momento anteriormente no livro (Deus Ex Machina fudido), e voltam para o grupo principal para completar a missão. É isso tudo que acontece nessa missão. Temos mais algumas informações (inúteis) sobre o passado do Arian e só.
Percebi que está terminando o livro. Faltam menos de cinco capítulos e pensei: Assim que vai terminar? Vou complementar o meu apanhado dizendo que, desde do capítulo 37 até o 43, só são lutas durante toda a narrativa. Porque mesmo voltando para o grupo principal, a cidade em que estavam todos da party do Arian, sofria uma invasão liderada pelo Cavaleiro Negro. Sim! Aquele mesmo Cavaleiro que salvou o Arian em vários momentos do livro anteriormente. E descobrimos que esse Cavaleiro Negro era o melhor amigo do protagonista na época em que ele estava na Guilda da cidade que se hospedaram.
O que era para ser uma reviravolta de roteiro ou um plot-twist, acaba se tornando uma situação vazia, já que esse suposto amigo do Arian, aparece em duas páginas no máximo do livro e não é estabelecido esse suposto vinculo de confiança entre os dois. Só mais uma situação jogada ali para nada. E novamente, seguindo o padrão de resumo do livro: lutas acontecem, vários personagens aparecem, mais lutas, mais pessoas surgem do nada, mais lutas com descrições confusas, mais gente que aparecem do nada, lobisomens que podem se transformar em URSOS(???), gente voando para trás, se dissipando, humanos normais, (vocês vão entender o que foi isso mais adiante no texto), mais lutas, mitologia grega e nórdica, dragões bidimensionais, portais pandimensionais, deuses aparecendo do nada, mais lutas, pessoas (a party do protagonista) sendo salvas no último minuto por personagens aleatórios, mais Deus Ex Machina ali, mais lutas, mais um pouco de Deus Ex Machina que não foi o bastante...enfim. Foi uma mistureba de eventos, que aquele mundo caracterizado no inicio do livro, nem se parece mais com o que foi descrito no final. Tudo é inserido ali a moda caralho, sem trabalho de construir algo coeso e que seja factível para existência desses elementos naquele universo.
Logo após essa lambança, o último capítulo (44) é dedicado exclusivamente a explicações (que já deviam ter sido feitas nos capítulos anteriores) e informações que eram necessárias (ou não) para dar base a estrutura daquele mundo no livro. Mas imaginem por um segundo, vocês lendo uma monografia cientifica, em que o texto daquele documento, foi feito por completo no dia anterior às pressas pelo autor. Pois é. Nas crônicas do Arian, coisas são simplesmente ditas no final e que devemos aceitar porque o autor está dizendo. Foda-se que não faz sentido, ou que não foi estipulado anteriormente, ocasionando a impressão de “termina de qualquer jeito, porque não é um capítulo de luta”. Foda-se tudo que é importante para construir uma boa história.
E temos finalmente o epílogo, em que o Marco tenta fazer um “joguinho com leitor”, escrevendo sete mini histórias que ocorrem antes dos acontecimentos do livro, sem a menção dos nomes dos personagens principais durante a escrita, para que o LEITOR TENTE adivinhar “A QUEM PERTENCE AQUELE PASSADO”. O resultado é algo idiota porque, você utilizando um pouco lógica e a técnica de exclusão de opções, você já sabe quem é quem nesse epílogo medíocre. É uma tentativa fracassada de tentar terminar o livro de uma forma diferente do comum. Se não consegue nem fazer o básico, não inventa.
Comentários Gerais:Erros de português
Já esperava uma qualidade questionável quanto a escrita do livro, principalmente voltado a parte gramatical e semântico de forma geral, porém fiquei surpreso o que li(Sou horrível em português e ainda sim fiquei chocado). Primeira coisa a ser apontada foi a presença de 3 REVISORES para a publicação. Tem editoras grandes que nem conseguem duas pessoas para revisar os textos publicados em seus livros/mangás/revistas...imagina 3 pessoas para revisar algo. E quanto mais gente melhor, não é mesmo? Errado. Mesmo tendo distintas pessoas revisando a redação literária, incluindo o próprio autor que afirma ter revisado diversas vezes seu próprio texto, o livro ainda apresenta erros ortográficos gritantes. E não são poucos. São MUITOS. Chegando ao absurdo de ter mais de três erros grotescos na mesma frase. Contei 934 erros em 384 páginas, incluindo a parte dos agradecimentos, que também continha deslizes gramaticais. (Cheguei a contar até certo ponto certinho, mas me perdi na contagem, deixando passar outros erros sem adicionar no montante. Aposto que passa de mais de mil erros, sem exageros).
A variedade dos erros vai de frases começarem no plural, mudarem para o singular e voltarem para o plural (vice-versa) incorretamente, conjugação dos verbos nos tempos errados, ausência de acentos nas palavras, o uso excessivo das vírgulas em diversos momentos e da falta delas em outros (passa a noção que o Marco não sabe utilizar as vírgulas):
“...governava aquela área, e habitava, normalmente, um castelo, na maior cidade...”
É um exemplo de vários trechos semelhantes que o livro apresenta.
No entanto, esses não foram os destaques do conjunto de ERROS. Teve uma coisa que chamou mais a minha atenção: as repetições de palavras dentro de um pequeno trecho. Fica a dica para qualquer um, aspirante a escritor, que a diversidade do vocabulário é muito importante em um livro, para deixar a leitura mais natural e “fluída” para o leitor que irá consumir sua produção, tenha a experiência mais agradável possível enquanto ler seu produto. É tão bom ler linhas de um texto em que a narrativa é envolvente não só pela história sendo contada, como as palavras que estão sendo utilizadas para transcrever os cenários imaginados. É muito prazeroso.
Contudo, no livro do Marco, as restrições dos conhecimentos do autor em termos ou sinônimos de várias palavras, deixa a leitura truncada, cansativa e nada convidativa a continuar lendo, porque o leitor fica exausto por ter que parar a leitura e reler diversos trechos do livro, na tentativa de entender o que está acontecendo ali. Nas descrições das lutas, é um show de horrores. Como um autor tem a coragem de escrever uma luta dessa forma:
“Desvia, bloqueia, desvia, bloqueia, desvia, desvia...”.
É um cheat isso??? É um Fatality do Scorpion do Mortal Kombat??? Sei lá o que seja isso. DESCREVA A LUTA CARAMBA!
Ele adora muito a utilização de vários vocábulos. Gosta tanto, que utiliza diversas vezes a mesma palavra, e na mesma frase inclusive: “...fazendo com seu CORPO seja jogado para trás, abrindo diversas feridas em seu CORPO....eram muitos CORPOS caídos ali”. E nem é só a palavra “corpo” que ele repete direto. ”Mudando de assunto”, “Falando nisso”, “sendo jogado para trás”, “dissipou”, “capuz”, “bracelete”, “sádico”, “humanos normais”, “arremessado”, “vários metros para trás”, “força do golpe”, “chances de isso acontecer”(é quase o vídeo dele de chances de nova temporada de um anime qualquer)...tenho uma lista enorme de palavras que se repetem múltiplas vezes em diferentes trechos do livro. Destaque para os “humanos normais”, que parece ser a única métrica comparativa que o autor conhece para estipular um comparativo entre os níveis de poder dos personagens. “Ele é tão forte, que sua força é equivalente à de 5 humanos normais”, “Ela quebrou o escudo do seu adversário, que aguentaria a força de mais de 10 humanos normais.”, ”...aquele guerreiro aparentava ter a força de 8 humanos normais.”, seja lá o que for a força de um HUMANO NORMAL naquele mundo. Além de ser um comparativo vazio, já que a dimensão de forças é baseada em humanos (sendo que eles são humanos do nosso mundo, ou são humanos com outros fatores mágicos? não diz ou fica claro) que não foi detalhada ou descrita no livro, fazendo com que o leitor tenha que completar diversas lacunas deixadas pelo autor, em ambientar de forma mais clara, o que CARALHOS acontece ali. Falando em lacunas...
Personagens
Sou grande fã de desenvolvimento de personagens. Aprecio tanto, que diversas obras audiovisuais que curto, tem esse apelo ou essa característica marcante durante sua exposição dos eventos. E ler esse livro, onde TODOS OS PERSONAGENS SÃO UNIDIMENSIONAIS, me dá uma preguiça inacreditável.
– O protagonista está numa peregrinação em busca de salvar meias-elfas, levando-as para cidade prometida. E tem o passado do protagonista. – Alguém fã dele vai dizer.
Sim, temos o objetivo moral dele de resgatar as meias-elfas e do Arian que está buscando recuperar suas memórias perdidas. Mas e quando ele tem acesso a esses fragmentos importantes sobre sua história, o que acontece? NADA. O personagem não cresce ou se desenvolve de nenhuma forma ao saber dessa informação. Nem impacto ao redor é sentido quando coisas acontecem ou são reveladas. Todos os personagens são apresentados de um jeito e terminam o livro da mesma forma. Não temos arcos de construção, nem mudanças no status quo de alguém. Não temos nenhuma mensagem querendo ser passada durante a leitura, nem construção decente de interesses românticos aqui (coisa supervalorizada pelo autor).
Sabem os animes haréns, em que o protagonista sem graça, consegue atrair diversas gurias (as mais atraentes da região) para serem possíveis namoradas dele no decorrer da temporada? Então...acontece a mesma coisa nesse livro. Personagem apelão, não bonito, misterioso, CAPAZ DE ESPANCAR UMA MULHER QUEBRANDO SUA PERNA E BRAÇO (aconteceu no torneio), tem o seu CHARME para as personagens femininas dessa obra. Parece simplista? Com certeza é. Esqueça das camadas de personalidades que os humanos têm. Quanto mais clichê e simples for o personagem, melhor. Não interessa que o Arian gosta de meias-elfas (loiras, olhos azuis, corpo chamativo), nem dessa busca do próprio passado, ou do trauma que a Kardia tem com a morte da figura paterna dela. Nada ameniza a péssima construção de personagens, principalmente das femininas.
E falando nas personagens femininas do livro...
A banalização do estupro (e da violência geral com as mulheres do livro)
Já comento que não sou purista ou coisa parecida. Não me importo que tenha cenas de estupros ou de violências extremas com personagens femininas nos animes, filmes, novelas, seriados, ou outras formas de entretenimento. Sou critico quando essa situação é usada para BOSTA NENHUMA (SÓ PARA CAUSAR). Antes de começar a descer a lenha NESTA PORRA DESSE LIVRO (eu estava calmo, mas aqui não dá...), vou devolver qualquer replica ou contra-argumentos que possa vir sobre a minha opinião com apenas três perguntas. Essas três perguntas, é um teste básico (famoso) para ver se alguma obra utiliza a ferramenta do ESTUPRO de forma NÃO SEXUAL ou BANALIZADA:
  1. O estupro ocorre do ponto de vista da vítima?
  2. Essa cena de estupro, ela possui proposito de desenvolvimento da personagem em vez da trama ou narrativa?
  3. O abalo emocional da vítima é desenvolvido depois?
Se por acaso, durante a execução desse teste, houve UM NÃO como resposta para qualquer uma das três perguntas, podem ter certeza que a cena em questão, foi escrita só para CHOCAR de FORMA GRATUITA o espectador ou o LEITOR. Então, posso dizer que o livro do Marco Abreu, é uma síntese da MISOGINIA redigida em formato literário. É um NÃO para as três perguntas acima com facilidade, analisando o livro como todo e a representação dessas cenas que são mostradas.
Conforme eu ia lendo, não me chocava com o fato acontecendo em si, e sim da forma que foi descrita toda a violência. Primeiro de tudo, todas as 6 cenas de estupros do livro (sim, em apenas um VOLUME, temos tudo isso da utilização de artificio), ocorrem a partir da visão do Arian, personagem masculino. Já começa totalmente errado. Segundo, os estupros só tem a finalidade de servir como fator motivacional do protagonista para agir contra os agressores. As vitimas são deixadas de lado, para exaltação do feito heroico do nosso protagonista, HOMEM, em salvá-las do perigo. Terceiro, depois que são violentadas, as personagens NÃO APARECEM MAIS NO LIVRO. ELAS SOMEM. NÃO HÁ DESENVOLVIMENTO PARA ELAS E NEM CITAÇÕES POSTERIORES EM OUTROS CAPÍTULOS. Fica na mensagem: “Mais uma donzela é salva. Vamos para a próxima em perigo.”. É muito ruim isso. Quarto ponto, o EXAGERO NAS DESCRIÇÕES quando é uma mulher na cena, em comparação a um homem sendo agredido da mesma forma. Dou até um exemplo. No flashback do Arian, rola estupro da mãe e da filha de uma família que o acolheu quando ele perdeu as memorias. Mas o que aconteceu com o PAI da família? É simples. O vilão desse flashback tem “senso de justiça” e antes de começar a torturar as duas, ele vira para o pai e diz: “Você é muito bonzinho para ver o que vai acontecer daqui para frente”. Facada no coração dele e morre o HOMEM da família. Em um parágrafo, o pai é morto e o vilão, por ALGUM MOTIVO, executou o pai em vez de TORTURA-LO, terminando por aí a violência contra ele. Mas para AS OUTRA DUAS NÃO FOI ASSIM. É nojento, porque foram páginas e páginas de violência contra as duas, com as maiores descrições possíveis (da melhor maneira que o Marco consegue descrever algo), desde de dentes quebrados no soco, facada na perna junto com assinatura do agressor na barriga da vítima com uma espada, fratura no braço, estrangulamento, estupro, morte... É um capitulo inteiro dedicado a isso. Serve para alguma coisa??? PARA NADA. Só serve para chocar ou punheta do leitor (talvez do autor também, não descarto a possibilidade).
E quem dera se fosse só nessas cenas polêmicas. Até nas lutas, o lado “SADISTA” do autor aflora quando tem mulher na parada. “Ele toma uma espadada nas costas e cai morto no chão”, para o caso masculino. Simples e rápido. Agora para o outro gênero: “A espada perfura sua armadura atingindo seus peitos, com o agressor torcendo a bainha, fazendo com que a espada destrua seus órgãos internos, jorrando sangue e agonizando em dor. Ela tenta proteger seu amado enquanto é agredida em seu rosto por socos.” no caso feminino. Detalhado e exagerado. Tenho minhas dúvidas se ele não faz isso de proposito por causa de um rancor amoroso que ele teve no passado.
Também tem a forma que é introduzida todas as personagens femininas no livro. É de ficar batendo cabeça na parede de arrependimentos por ainda continuar lendo isso. “Kadia, com cabelos longos (tara do autor) e pretos, corpo escultural...”, “Lara, loira, olhos azuis, um corpo que chama a atenção dos demais homens enquanto passa.”, “Joanne, mesmo dentro de sua armadura(???), dava para ver sua beleza incomparável a de outras mulheres normais, com um corpo que exalta beleza.”. Já deu para sacar que o primeiro atributo descrito das personagens femininas nesse livro é seu corpo ou beleza. Supostamente, de acordo com o autor, temos personagens femininas fortes no livro. Só que o “forte” para o Marco é no quesito físico, porque NENHUMA DELAS tem características marcantes ou independentes a figura masculina. Nem no teste de Bechdel, as personagens passam. É idiota e superficial. Fica parecendo que estou lendo uma fanfic escrita por um adolescente de 12 anos que nunca interagiu com alguém do sexo oposto.
E puxando o assunto interações...
Diálogos
Aqui fiz um seção especifica para o desastre total que o autor faz pensando que isso seja um dialogo normal entre duas pessoas. Tem muitas conversas nessa história, até demais por sinal. Vai desde de diálogos expositivos onde os dois personagens sabem da informação ou o que está acontecendo, e mesmo assim verbalizam a situação explicando novamente o que houve, para até diálogos dignos de animes ecchi genéricos lançados por aí no Japão. Chega ao absurdo de ficarem três páginas inteiras discutindo sobre qual a raça de cavalo é mais rápida. PARA que quero saber isso?
No entanto, a parada que mais me irritou é a falta de naturalidade na fala de cada personagem. Explico o que eu quero dizer. Quando temos o conhecimento de como os personagens são, como adjetivos, vícios, problemas, comportamento, e outras partes que compõem a persona deles, adquirimos a noção de como o personagem irá falar. Se for tímido, ele vai falar pouco e ocasionalmente na história. Talvez até pausadamente, pensando duas vezes antes de se pronunciar. Se for extrovertido, vão ser linhas e linhas de falas dele, com uma desenvoltura mais solta ao se expressar e verborrágico ao extremo. São exemplos simples e fáceis de entender.
No livro do Marco não se tem isso. Todo mundo fala igual e da mesma maneira. Não há distinção entre um e outro. Se a narração não identificar quem está falando o que, você fica perdido durante a discussão. Apesar da ficha de descrição de cada um dos personagens ser uma linha única, na teoria são todos distintos entre um e outro. Entretanto, quando vão conversar, todos aparentam serem as pessoas mais racionais e calculistas do universo. Pensam demais, teorizam demais, explicam demais:
“Você é muito impaciente Lara. Não se precipite ao atacar”.
Duas linhas depois:
“Devemos atacar a caverna pelo lado direito, discretamente, e aguardar, até os Goblins saírem de perto das prisioneiras, derrubando um por um, assegurando a situação das mulheres – disse LARA”.
A mesma personagem que na teoria é a IMPACIENTE do grupo, arma um plano, calcula probabilidade, é fria/apática ao que está vendo, e tem toda a calma do mundo para explicar um plano para outros personagens sem partir para ignorância de uma vez. As personalidades de todos são iguais, sem distinção alguma. É algo nítido, visto o linguajar extremamente informal e racional que todos assumem na maior parte do tempo.
Em suma, se você já viu vídeos do Marco, vai perceber maneirismos, vícios de expressões e vestígios da personalidade dele nas falas dos personagens do livro. É praticamente o leitor acompanhando um grupo de personagens iguais ao Marco da vida, conversando entre um e outro, sendo os mais prolixos ao falarem, realizando uma missão de escolta para uma cidade qualquer.
Referencias (ou plágios???)
Referencias não é algo ruim. De maneira nenhuma. Muitas excelentes obras, partem de sua ideia inicial de outras histórias já contadas anteriormente. Ter algo para inspirar na sua criação, é bom para sua produção e desenvolvimento.
Não posso dizer que o livro do Arian fez isso de forma “saudável”. Apesar de apresentar algum diferencial em sua estrutura, têm muitos elementos copiados de outros animes ou filmes bem descarados. Desde do passado do Arian, ser extremamente parecido com a do Goblin Slayer, à personagens serem muitos parecidos com obras favoritas do autor, como Akame Ga kill, SAO, Tate no Yuusha,...Tudo é muito familiar, chegando ao ponto de deixar todos os eventos do livro previsíveis. Cheguei a tuitar enquanto lia o livro, chutando o que iria acontecer mais para frente e quase todas as vezes eu acertava o que ocorria, porque tudo era manjado. No momento em que você já assistiu a maioria dos animes citados acima, tudo parece mais do mesmo. A história contada aqui, não tem identidade própria.

Fiz uma seção especial para a personagem, para fazer uma simples pergunta. QUEM É ?
-Ué, mas você não leu o livro?
Li, e é por isso que surgiu a minha dúvida. Ela SUPOSTAMENTE é importante para o protagonista e RELEVANTE para o enredo do livro, conforme citada na sinopse. Então, por que ela não faz NADA durante o livro? Ela serviu para alguma coisa, além de ser um “alivio cômico” em momentos pontuais? Não é atoa que ela é um fantasma, já que ela é invisível até mesmo para o autor que esquece de mencionar ou narrar o que ela está fazendo. Ela só é lembrada quando o Arian está abraçando alguma mulher, e ela faz cara de emburrada (piada de comédia romântica) ou quando o PROTA está ferido gravemente, e ela tem o semblante de preocupação. Só nessas ocasiões que lembram que ela existe e que precisa interagir com a situação. Fica ainda mais crítico depois que começa a batalha dos Goblins. Um quarto do livro ela some, mesmo tendo sido dito que a fica grudada com o Arian 24 horas por dia. Nem citada o que está acontecendo ao redor dela ocorre durante as descrições das lutas. Ela é totalmente descartável nesse primeiro volume. Ela estar ali ou não, faz diferença nenhuma para o enredo. E que nome é esse? É uma tag HTML?
Mais alguns detalhes incomodativos
Vou fazer uma lista para agilizar, até porque já passou de 4 mil palavras e estou tentando colocar tudo nesse texto, o que eu não curti durante a minha experiencia de leitura das Crônicas de Arian.
· A tara do protagonista com Meias-Elfas (alvos primários dos estupros no livro). A justificativa é porque elas não são puras no quesito racial e vivem na margem da sociedade. Porém, só acontece a desgraça com elas. Os MEIOS-ELFOS nem citados são, os coitados.
· Duas páginas escritas para inserir a informação de que bosta de cavalo serve para espantar os Goblins do local, e isso não ser utilizado para nada até final do volume. Foi só encheção de linguiça.
· A alternância de visões dos personagens no foco narrativo entre os capítulos. Não fazia diferença se o capítulo era na visão do Arian ou da Kardia, ou do Dorian, ou da Lara. Tudo levava para o mesmo resultado, sem ter nenhum tipo de aprofundamento enquanto fazia esse tipo abordagem.
· A utilização de palavras pouco usuais da língua portuguesa. Ele ia de uma escrita informal, para formal, depois para cientifica, e seguida voltava para informal. E vários momentos que ele empregava termos mais complexos, de maneira totalmente errada. Se não se garante nem no básico, não arrisca no difícil.
· “Chances baixas de ganharmos.”, “Ele tem chances baixas de vencer”, “As chance são baixas de sobreviver”...era um saco isso a toda hora. Parecia que estava vendo um vídeo do Marco de “Chances de nova temporada para anime tal”.
· As frases filosóficas baratas: “Não tenha medo de errar, repita até ficar melhor, e saiba admitir a derrota.”, “A morte não te ensina nada. Mas se permanecer vivo, pode aprender com seus erros e saber como ganhar da próxima vez”, “Confie em mim, entendo de mulheres, se não se impor um pouco, ela nunca vai te ver como homem. Agora vai lá e joga umas verdades na cara dela, e não aceita um não como resposta”. E são muitas frases. Todas idiotas e nada fica de aprendizagem delas.
· As regras econômicas daquele mundo. Você ganha 100 moedas de bronze por dia trabalhado. Com 10 moedas de bronze não é possível nem comprar um pão, porém com cinquenta moedas, dá para comer bem durante o dia todo(???). Não foi afirmação minha, está descrito no livro. Além de nenhuma noção de economia, o real valor das moedas é um foda-se gigante. Se não tem condições de elaborar um sistema monetário decente, não menciona.
· As insinuações sexuais com crianças. Há cinco momentos no livro que isso acontece e é complicado. De novo, quando aparece isso, você fica refletindo o motivo de continuar lendo o livro.
· O esquema de “pagamentos”. É igual Darker Than Black (quando ativa o poder, tem que fazer algo em troca), só que aqui é pior. A Kadia tem o pagamento de se masturbar(???). O Marko, personagem, tem que transar para fazer o pagamento. A Lara vira uma LOLI (linda, de acordo com livro) como pagamento. Só coisas escrotas e sem função narrativa. Eles não podiam só ficar exaustos quando utilizassem muita mana? Tinha que ter essa mecânica de pagamento?
· O código de barra da missão. Maluco chega numa vila ISOLADA, longe da cidade e me mete essa: “Viemos pela missão 568844EW” WHAT??? QUE BAGULHO É ESSE? É uma chave única de acesso a algum banco de dados? É senha de segurança de cartão de crédito? É a senha automática gerada no caixa eletrônico quando você vai sacar dinheiro? Que negócio ATUAL. Eles estão em um mundo MEDIEVAL, onde não tem comunicação ou troca de informações em tempo real, porém cada missão criada no planeta inteiro, vai ter uma ID única, referente ao local que foi estipulada, e vai valer para todas as cidades, ao mesmo tempo? Como eles validam isso? Que controle eles têm, sendo que não tem um servidor para fazer essa operação? QUE PORRA FOI ESSA?
· Há duas menções, bem rápidas, ao homossexualismo no livro inteiro. A primeira foi durante o primeiro estupro, onde o chefe/vilão do momento se vira e fala para seu capanga: “Você não gosta de homem? Vai se divertir com o segurança desmaiado”. Momento seguinte, o Arian chega e mata todo mundo. Segunda menção foi uma piada que soltaram no quarto arco: “Se fosse um menino de seis anos, aí deveríamos ficar preocupados”. O dialogo se refere a um amigo do Arian, gay, que recebeu a missão de escoltar uma garota de seis anos para a cidade prometida. Basicamente, a imagem de pedófilo/estuprador pode ser associada aos gays por tabela, junto com a mensagem de preconceito sendo passada. NADA machista e preconceituoso. IMAGINA. Só é IMPRESSÃO.
Conclusão
Já dá para notar que não vou recomendar o livro a ninguém. Principalmente, partindo do principio que ele está sendo cobrado para ser adquirido legalmente. Tem no site também, mas a forma comercial está valendo para essa comparação que estou fazendo aqui.
Existem muitos problemas nesse livro, e vários desses poderiam ter sido facilmente resolvidos se tivesse alguém, ou algum editor que confrontasse o autor, demonstrando onde precisa ser melhorado, apontando onde é necessária uma reescrita, tentar novas abordagens na história, etc. Porque parece que o editor é um limitador, censurador, que restringe a criatividade do autor, sendo que na maioria das vezes, ele está tentando ajudar o escritor a organizar melhor suas ideias e sugerindo melhores formas de coloca-las no papel.
A ausência desse tipo de pessoa nessa publicação independente, é muito sentida. O livro é uma bagunça. A ideia central da história está perdida num montante de conceitos jogados ali de qualquer forma, personagens sem desenvolvimentos adequados, repetições de conflitos ou de problemas enfrentados pelo grupo principal (estupros), a falta de preparo e de revisão ortográfica que atrapalha demais a leitura, a falta de originalidade para que transformasse o livro em um diferencial entre os demais, e o principal problema que é a falta de noção dos próprios defeitos que o Marco tem como escritor. Os comentários dele no final do livro deixa nítido a situação. Ele admitir que escreve mal não é o bastante. Durante todo o volume 1, não percebi nenhuma melhora ou tentativa de mudanças. Parece que está falando só dá boca para fora, mas não está fazendo nada para corrigir esse defeito. Só treinar escrevendo, não ajuda em nada. Tem que estudar sobre o assunto, se aprofundar em conceitos de como construir uma boa história, ler outros tipos de livros, memorizar as regras da língua portuguesa (muito importante para ele) e não só ter a noção/consciência dos defeitos, e ainda assim continuar repetindo eles durante a escrita do livro.
Não recomendo ninguém a comprar ou ler o livro As crônicas de Arian volume 1. Nem por diversão vale o tempo.
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2014.05.25 04:22 ClayDatsusara No Sonho

Lotte, Lotte Lotte, não tens sonhos, dizes-me. E que não falas daqueles objectivos infantis super-irrealistas, tipo Um dia quero ser como o Ayrton Senna ou O meu sonho é ser médica veterinária. Lotttttte… Teus gostos invejo-os. Também eu gostaria de gostar de animais ao ponto de me tornar um anjo ao seu serviço, mas não tenho estômago para lhes ver as entranhas. Nem isso, nem tenho a coragem para me pôr num carro a 300 km/h. Já vi mortes na estrada a muito menos velocidade. Não é preciso ir muito longe. Uma menina morreu à minha porta, quando eu era também uma criança. Eu não vi, tinha ido num passeio da escola, mas pelo que me disseram, ela estava parada. Um carro atropelou-a.
Lotte, pequena Lotte, coração grande, como não tens sonhos? Daqueles que as pessoas acordam e ficam a pensar gravemente no seu significado. Será que não tens preocupações? Se não as tens, sou eu que fico preocupado.
Lotte, dorme um pouco sobre estas palavras, pensa em mim, e tenta sonhar, porque eu estou a ir-me de ti, a fugir das tuas mãos escorregadias, e tu nem notas. Estás demasiado acordada para reparar. Se sonhasses como eu sonho, talvez abrisses os olhos e visses dentro do teu inconsciente as verdadeiras razões do nosso fim.
No sonho, eu disse-te, Lotte, que tu estavas em minha casa, quando eu vivia com os meus pais, e eras já minha. Minha amiga, minha namorada, minha parceira de vida, minha parceira de discussões, enfim, tudo o que alguma vez foste para mim. E a cena, repara Lotte, é que, no sonho, eu sentia-me preso em casa, como se sair dela fosse fugir criminosamente de um futuro que me estava destinado nas estrelas.
Lotte, sabes que eu não planeei isto, mas são coisas que acontecem. Uma pessoa sonha e dá por ela que são pesadelos, vezes sem conta, todas as noites pesadelos (tu mesma mo dizes, sempre que acordo a meio da noite e tos revelo inconscientemente; a minha mãe costumava fazer-me o mesmo quando eu era adolescente mal comportado: acordava-me logo pela manhã, de rompante, e começava a fazer-me todo o tipo de perguntas. E eu, só para que me deixasse dormir, contava-lhe todas as verdades incriminatórias), e tu, Lotte, não és capaz de encontrar nem que seja uma réstia da verdade no meu inconsciente. São só pesadelos, dizes-me, volta a dormir e não penses nisso, não penses em nada. Como se fosse possível, Lotte, não pensar que, no sonho, o teu pai me perguntava se eu ia à missa, porque fez uma procura no Google e viu que os Luteranos iam à missa. Mas quem é que meteu na cabeça do teu pai que eu era Luterano?
― Isso foi só um sonho, coração…
Eu sei Lotte, eu sei, desculpa gritar contigo. Não tens culpa. Mas não consigo deixar de pensar que, para o teu pai, eu tenho uma cabeça de cavalo, apenas por querer comprar um. Sim, porque um dia os carros vão tornar-se obsoletos e vamos precisar de um meio de transporte.
― Estás é preocupado por causa daquela multa. Não te preocupes que não vais ficar sem carta de condução.
Ai vou, vou. Lei de Murphy. É a terceira vez, talvez ma tirem definitivamente e eu tenho de voltar à escola de condução, e apenas dois anos depois.
― Hmmm, eu acompanho-te, vou tirar a carta também! :)
Não tem piada, Lotte. Tu já devias ter carta de condução. No sonho, tu ficas estática quando tudo à nossa volta entra em revolução (ou devo dizer colapso?), e eu sinto-me perdido, sem saber o que fazer, porque tu não tomas uma iniciativa. Devias ser mais como a tua irmã, nesse aspecto.
No sonho eu mato uma boneca.
― Quem é a boneca?
Não sei, é uma boneca, em tamanho humano, ainda com sangue na boca, que eu atiro para a mala do carro da tua irmã, sem que ninguém se aperceba, como se eu quisesse atirar os meus problemas para outra pessoa e aliviar o peso no meu peito.
Mas Lotte, olha o que acontece depois, no meu sonho, a tua irmã é mandada parar pela polícia, que está ali à frente, na rotunda, toda a gente nos diz! E eu tenho medo que encontrem a boneca morta na mala. A boneca ainda tinha sangue a escorrer-lhe das articulações!
E eu não podia sair de casa, estava preso (a ti? à minha vida? a nós? aos filhos? à situação mais cómoda e, cruelmente, mais sustentável?), e o máximo que podia fazer era subir ao telhado, para tentar ver o que era impossível ver. Mas eu sabia exactamente o que estava a acontecer. Era a polícia, eu sabia, e a polícia faz o que tem a fazer. Só me resta esperar. Tu seguias-me sonâmbula.
Lotte, chega aqui, diz-me se sonhaste comigo nos últimos tempos? Não te lembras? É sorte ou azar? Nem sonhas com a tua família? No sonho eu andava à procura de uma garrafa de vinho que a tua irmã trouxe do Brasil. Ora, se tu não a bebeste, e o teu pai diz que também não a bebeu, e que a viu na semana passada na porta do meio do armário da sala, e eu também não me lembro de a ter bebido, então o que é feito dela? Quem de nós está a mentir?
― São só sonhos, meu anjo, dorme. Há muitas coisas que eu também não me lembro.
Pois, dos teus sonhos. Mas Lotte, repara bem, no meu sonho eu chamava pelos nomes daquelas pessoas que deixei de ver quando casamos. Estava no cimo do telhado e gritava às pessoas que passavam lá em baixo, na rua: Ursula! E tu repetias o meu grito, como um eco indesejado, que me distraía da pessoa lá em baixo, que me acenava e eu não via, por olhar agora para ti, cego para o resto das pessoas. Aline! E tu, Aline, Aline, Aline… E a Aline talvez me tenha cumprimentado, lá de baixo, e eu não vi. Até quando eu chamei pelo nome do Jeremy! Tu repetiste Jeremy, e eu deixei simplesmente de o reconhecer no meio da multidão, e, se calhar ele lembrou-se de mim. Porque só tenho olhos para ti. Estás em número um da minha lista, no meu sonho, pelo menos.
― Um beijo – dás-me um beijo – vou dormir meu amor – e vais mesmo, deixas-me a reflectir sobre o sonho.
No sonho, o Andrew tinha dois irmãos que eu não conhecia. No sonho, o Oscar ia para o Zaire, em viagem de paz, coitado. E tudo me parecia estranho e irreal.
― Nos sonhos, tudo é estranho e irreal. Nada é verdade.
Mas o que sabes tu, Lotte, se não te lembras dos teus sonhos? Dizes que eu só me lembro porque tenho a cabeça cheia de preocupações, que na verdade são pesadelos.
Eu digo-te o que é real, no sonho. É a tua constante presença como objectivo da minha vida. O desgaste chega aos meus sonhos! De tanto te amar deixei de te suportar. Nem nos meus sonhos tenho privacidade, e depois conto-te tudo, quando acordo. Não vale a pena esconder nada, tu estavas lá para ver.
Sabes o que eu acho Lotte? Acho que tu não te lembras dos teus sonhos porque nunca estás neles. Estás sempre nos meus, como personagem secundária, omnisciente. Por favor, volta para os teus sonhos. Se é que algum dia os frequentaste…
Lotte, sabes o que te aconteceu hoje no meu sonho? Lotte? Já estás a dormir? Óptimo. Espero que sonhes com isto também, para ficarmos a saber o mesmo sobre nós próprios.
Uma vez perguntaste-me se, em caso de traição, eu queria ser o primeiro ou o último a saber. Que pergunta é essa?
― Não é sequer uma hipótese, querido, nunca te trairia, mas a tua resposta pode dizer-me tanto sobre ti.
Não me conhecias bem, na altura. E, se calhar, querias era que eu te fizesse a pergunta a ti, de seguida.
Como é que podes não sonhar com isso? De certeza que sonhas… Sabes o que se passou no meu sonho? No sonho eu levava uma boneca para casa, só que essa boneca tinha nome, e carne, e vida nos membros, e eu fazia questão de te mostrar que a boneca podia ser real.
A tua respiração é lenta. Os teus olhos parecem não se mexer debaixo dessas pálpebras cansadas. Espero que estejas a sonhar com isto. Tu estavas no meu sonho, tu viste. No sonho, tu não percebias. Espero que percebas. Não quero que sejas a última a saber.
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